
Sonhei.
Parecia incrivelmente real e, por isso, fiquei tranquila. Era um mundo vazio, viva-se num anonimato, na esperança de ver as estrelas. Havia muito ruído, o ambiente à minha volta estava completamente paralisado, com os olhares focados em mim e eu podia mexer-me. Por instantes, as pessoas tropeçavam em cada passo que davam mas erguiam a cabeça com a maior força que tinham. Sentei-me a observar o que não dava para ver; tudo aquilo era estranho, era surreal. Cada um seguia com a sua vida para a frente e derepente, paravam. Reproduzia-se uma sensação de angústia. Queria entender, mas não me entrava na cabeça todo o processo de vida que existia naquele mundo. De noite, quando eu decidi descansar, parei e encostei-me a uma árvore. Franzi os olhos e observei o céu. Percebi que à distância de um olhar estão outras dimensões, outras partes da vida que não me compete a mim entender. Fechei os olhos e adormeci. Naturalmente, sonhei. Deu para compreender: eu protagonizei aquele dia. Acordei de manhã, abri a janela, olhei lá para fora, senti o arrepio no braço, arranjei-me, comi, saí de casa e fui para a escola. Quando lá cheguei, já tinha um sorriso no rosto, entre beijinhos e abraços, só pensava nas horas e nas aulas que iria ter. Começou a rotina, algumas horas sentada e depois, tempo de voltar para casa. Fazer o caminho inverso, mas desta vez, sem a luz do dia por perto. Chegar a casa, conversar com a familia, contar as novidades e ir para o quarto. Jantar, conviver na sala e por fim, ir dormir. E foi aqui, neste preciso momento, quando ia dormir, que acordei assustada, com uma sensação de nunca mais querer fechar os olhos. Depois deste sonho, acordei e só tinham passado 2 minutos. Levantei-me, desencostei-me da árvore e debrocei-me sobre o espelho de água de um lago, num jardim. Fui eu que, naquele momento, ousei encarar-me de frente, sem quaisquer medos. Parei naquela imagem e, num instante, levei-me para os céus. Eu, as estrelas, a lua e nada mais. E acordei. Queria só perceber, porque é que num abrir e fechar de olhos, tudo muda?
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