quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Hello World.


Quero dizer "olá" ao mundo, mas ele não me ouve. Deve estar demasiado ocupado em dizer "olá" aos outros. Não é que eu ache que ele me virou as costas, mas gostava de conversar com ele; perguntar-lhe se está tudo bem e se não se sente cheio e desequilibrado. Ás vezes tenho esta necessidade: não falar com ninguém, mas também não ficar calada. Contar-lhe tudo o que vejo, partilhar com ele memórias e imagens. Mostrar-lhe que maior que eu, só as minhas perguntas. Mesmo que ele não me responda, era bom que me ouvisse.
Mas na altura em que estamos, não sei se iria conseguir ter uma conversa com o Mundo. Talvez eu o oiça a chorar e lhe pergunte "O que se passa?" e ele não me responda. Quando isso acontecer eu perguntar-lhe-ei de novo "O que se passa?" e ele responder-me-à que nada se passa. Mas se nada se passa, é porque passa-se tudo. Pelo menos eu nunca soube de nada que fizesse chorar. Se há um "nada" que faça chorar, há um "tudo" que faça rir. Por isso é que agora é "tudo ou nada"!

Quem disse?


- Sabes de alguém que possa voar?
- As pessoas não têm essa capacidade.
- Não foi isso que te perguntei. Eu perguntei se sabes de alguém que o possa fazer?
- Não, porque uma pessoa não o consegue fazer.
- Como é que sabes ?
- Sabendo. Toda a gente sabe isso.
- E quem lhes contou ?
- Ninguém em concreto. Os estudos da ciência e da morfologia humana comprovam-no.
- Quem são esses ?!
- Esses ?! A Ciência não é ninguém ... Chama-se ciência a qualquer reconhecimento.
- No outro dia, eu quase que não reconhecia a minha prima. Ela está diferente. Isto quer dizer que eu não tenho Ciência?
- Oh! Não sei como te explicar ...
- Eu também não.
- Mas uma pessoa não consegue voar e a ciência não é uma pessoa.
- ENTÃO A CIÊNCIA VOA ?
- Não, a ciência também não voa. Só os pássaros voam.
- Então quando for grande quero ser um pássaro.
- Mas tu não podes ser um pássaro.
- Porquê ?
- Porque és uma pessoa.
- Quem disse ?

What i'm doing(...)


Estou a escrever. Gosto disto. Sinto-me mais "alguém". E ao escrever "escrever" estou a dizer o que estou a fazer; ao escrever "escrever" estou ... a escrever. Apesar destas palavras serem inofensivas e sem qualquer objectivo estipulado, tu continuas a lê-las. Pára! Não leias mais. Vês? Não paraste! Eu chamo-lhe o irónico da desobediência: enquanto que eu dizia para parares de ler, tu estavas a ler... e continuas a fazê-lo. E até consigo prever o que estás a fazer neste preciso momento - estás a ler.

Continuar


Tenho a idade que tenho e ainda não sei nada de nada (...) Bem me parecia que ainda tinha que continuar na descoberta.