
Quero dizer "olá" ao mundo, mas ele não me ouve. Deve estar demasiado ocupado em dizer "olá" aos outros. Não é que eu ache que ele me virou as costas, mas gostava de conversar com ele; perguntar-lhe se está tudo bem e se não se sente cheio e desequilibrado. Ás vezes tenho esta necessidade: não falar com ninguém, mas também não ficar calada. Contar-lhe tudo o que vejo, partilhar com ele memórias e imagens. Mostrar-lhe que maior que eu, só as minhas perguntas. Mesmo que ele não me responda, era bom que me ouvisse.
Mas na altura em que estamos, não sei se iria conseguir ter uma conversa com o Mundo. Talvez eu o oiça a chorar e lhe pergunte "O que se passa?" e ele não me responda. Quando isso acontecer eu perguntar-lhe-ei de novo "O que se passa?" e ele responder-me-à que nada se passa. Mas se nada se passa, é porque passa-se tudo. Pelo menos eu nunca soube de nada que fizesse chorar. Se há um "nada" que faça chorar, há um "tudo" que faça rir. Por isso é que agora é "tudo ou nada"!

